O projeto "Biodiversidade da Paraíba: status, ameaças e oportunidades" apresenta à sociedade o mais amplo e aprofundado diagnóstico da biodiversidade da Paraíba, a partir da construção de um grande banco de dados oriundo dos mais variados ecossistemas do estado, tanto aquáticos quanto terrestres — incluindo zonas marinhas, ambientes continentais dulcícolas (lênticos e lóticos), complexo Mata Atlântica (stricto sensu, manguezais, tabuleiros, restingas e brejos de altitude) e Caatinga.
O núcleo de excelência em biodiversidade da Paraíba é formado por mais de 80 pesquisadores, todos já integrados ao projeto, atuando em instituições da Paraíba (UFPB, UEPB e UFCG), de outros estados brasileiros. Destes, 16 são docentes do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas da UFPB, com nota 5 da CAPES. Cada pesquisador, especialista em seu grupo biológico, contribui com a coleta, organização e apresentação dos dados — abrangendo plantas (fanerógamas e criptógamas), macrofungos, invertebrados terrestres (abelhas, formigas, borboletas, escorpiões etc.), invertebrados aquáticos (poríferos, crustáceos, moluscos etc.) e vertebrados (peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos).
As informações biológicas primárias, especialmente de ocorrência e distribuição das espécies, vêm dos herbários e coleções zoológicas da UFPB, UEPB e UFCG, que reúnem acervos com mais de 30 anos de história, cobrindo todo o território paraibano. Também são realizadas expedições de campo em áreas com baixa cobertura amostral.
Gradativamente, os diagnósticos de cada um dos grupos da biodiversidade da Paraíba estão sendo publicados. As ocorrências das espécies estão sendo georreferenciadas, possibilitando a criação de camadas espaciais para cada grupo biológico. Esses dados seguem um Plano de Gestão de Dados próprio e são depositados em um repositório Dataverse baseado nos princípios FAIR (encontráveis, acessíveis, interoperáveis e reutilizáveis), desenvolvido pelo projeto DATAPB, financiado pela FAPESQ e em plena sinergia com esta iniciativa.
Essas camadas georreferenciadas são sobrepostas para revelar padrões geográficos e taxonômicos da biodiversidade, lacunas de conhecimento e oportunidades para conservação e uso sustentável. O objetivo é que cada município, região e zona climática da Paraíba disponha de informações detalhadas sobre sua biodiversidade, incluindo: (i) riqueza de espécies; (ii) espécies ameaçadas; (iii) organismos de interesse em saúde pública, animal e vegetal; (iv) espécies pragas, exóticas e invasoras; (v) espécies com potencial pesqueiro e cinegético; (vi) espécies com valor econômico; (vii) áreas prioritárias para conservação; e (viii) lacunas amostrais.
Este banco de dados representa um marco para a Paraíba, servindo como base para decisões públicas sustentáveis. Em parceria com o DATAPB, outras camadas de dados sociais, econômicos e ambientais também estão sendo integradas, permitindo análises como: (i) relação entre biodiversidade e IDH ou PIB municipal; (ii) impacto do uso do solo sobre a biodiversidade; (iii) influência da biodiversidade na produtividade agrícola. Assim, os dados se tornam ferramentas-chave para equilibrar prosperidade econômica, justiça social e a saúde dos ecossistemas para as futuras gerações.
EQUIPE
O projeto conta com uma rede ampla e consolidada de parceiras entre pesquisadores de várias instituições brasileiras, especialmente das instituições da Paraíba, sem a qual seria impossível a execução dos seus objetivos, tendo em vista o elevado número de grupos biológicos envolvidos. Uma parte significativa dos pesquisadores (34, 61%) estão lotados no Departamento de Sistemática e Ecologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), pois a maioria das coleções biológicas envolvidas no projeto está em suas dependências. Ainda na UFPB, há pesquisadores do Departamento de Ciências da Informação (Campus I), Departamento de Biociências do Centro de Ciências Agrárias (Campus II) e do Departamento de Engenharia e Meio Ambiente do Centro de Ciências Aplicadas e Educação (Campus IV). No estado da Paraíba, há parcerias com pesquisadores do Departamento de Biologia do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Unidade Acadêmica de Ciências Biológicas do Centro de Saúde e Tecnologia Rural e Unidade Acadêmica de Ciências Exatas e da Natureza do Centro de Pesquisa e Ensino em Ciências Exatas e da Natureza da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e da Unidade de Educação da Prefeitura Municipal de Bayeux.
Em outras instituições do Nordeste, teremos a participação de professores da Universidade Regional do Cariri (URCA), Universidade Federal do Cariri (UFCA), Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e Universidade Federal do Piauí (UFPI). Fora da Região Nordeste, haverá pesquisadores da Universidade de Campinas (UNICAMP), Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.